A educação pré-escolar é por definição a educação anterior à escolaridade obrigatória. No entanto, com as mudanças constantes de horários, de ritmos, de influências, de estímulos, de estruturas familiares e de conceitos de valor, esta definição começa a ser contestada por muitos profissionais da educação. A educação pré-escolar começa a ser vista, não como um apêndice descartável do ensino básico, mas como uma base essencial para um percurso académico e pessoal de excelência.
O Movimento Democracia, tendo em conta a complexidade da questão e a importância nos tempos actuais da educação pré-escolar, coloca as seguintes questões:
- deverá o ensino pré-escolar ter obrigatoriedade de frequência?
- se sim, obrigatoriedade de frequência de quantos anos?
- quais as razões que o levam a defender a obrigatoriedade do pré-escolar?
- quais as razões que impedem que actualmente o pré-escolar não seja obrigatório?
Pedimos a colaboração de educadores, sejam da área, sejam outros interessados. Enviem o vosso testemunho/opinião/reflexão para movimento.democracia@gmail.com ou deixem o vosso comentário neste post.
Comissão Coordenadora:
Filipe Araújo
Goretti Moreira
Ricardo Santos
Nelson Vara
Ricardo Montes
Tiago Carneiro
Área reservada da CC
Goretti Moreira
Ricardo Santos
Nelson Vara
Ricardo Montes
Tiago Carneiro
Área reservada da CC
Monday, May 19, 2008
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9 comments:
Reconheço a importância que a educação pré-escolar tem na formação da criança. Mas, para uma obrigatoriedade de frequência do ensino pré-escolar, teria que haver um investimento na criação deste tipo de estruturas. Sabendo todos da política economicista que este governo tem posto em prática, nomeadamente a nível da educação, esta ideia, apesar de ser boa, não terá pernas para andar.
Deixo aqui a minha ideia...
E que tal se a 1ª matrícula, no 1º ano do 1º ciclo do Ensino Básico fosse obrigatória aos 5 anos??! Sendo o 1º ano de preparação!!
Por mim acho que um ano não chega. Há um programa para o pré-escolar... Não se aplica num ano. Defendo a obrigatoriedade do pré-escolar a partir dos 4 anos, para que haja tempo de cumprir os objectivos desse "ciclo"
Tenho dois filhos no 1º CEB e acho que a entrada para o mesmo aos 5 anos é bastante prematura.
O programa do pré-escolar existe. O Governo que o implemente.
O principal problema que se coloca à possibilidade de o pré-escolar vir a ser considerado obrigatório, é a necessidade de um forte investimento ao nível da rede pública.
Todos sabemos que há uma grande percentagem de crianças que hoje frequentam o pré-escolar, que estão inseridos no particular ou nas IPSSs, pois a rede pública não consegue dar resposta capaz a este problema.
O que acontece é que este governo não está a investir nesta área(antes pelo contrário, está a desinvestir) pelo que considero que muito há ainda a fazer antes de pensarmos na obrigatoriedade do pré-escolar.
Contudo, e como Educadora de Infância, defendo a importância do pré-escolar como decisiva no desempenho das crianças tanto no seu percurso académico como em toda a sua vida em sociedade.
Quanto à questão de reduzir para os cinco anos a idade de entrada para o 1ª ciclo, sou totalmente contra, penso até que deveria ser ao contrário, pois os meninos não voltam a ter outra infância.
Tal como diz João dos Santos,"só poderemos ser felizes se não esquecermos a nossa infância".
O pré-escolar é um espaço/tempo de aprendizagem, mas é essencialmente um lugar de fantasia onde se transformam os sonhos e os medos em realidade...
tn
Mais do que "exigir" ou "reflectir" a questão da obrigatoriedade da frequência da Educação pré-Escolar, terá de estar em cimna da mesa a necessidade de se adoptarem medidas fundamentais para uma efectiva Educação de Infância (0-6 anos). Terá de ser, nesta perspectiva, que se deverá enquadrar a necessidade de se criar (ou não) condições para um atendimento à infância em Portugal. Não nos podemos esquecer (e frequentemente fazê-mo-lo), que, embora sintamos que "nada se fez", o que é facto é que Portugal teve, nos últimos 30/40 anos um impressionante incremento educativo (basta compararmos com outros países vzinhos, começando por Espanha), onde não são estranhas algumas medidas como o alargamento da Rede de EPE, a Licenciatura como grau académico básico para docentes e outras (como as OCEPE, ou a definição de competências para docentes). Neste sentido, apesar das inflamadas opiniões, penso que se está a caminhar num bom sentido e, não nos podemos esquecer, parte do trabalho de "acreditação" da EPE (ou, como prefiro, da Educação de Infância) tem, necessariamente, de partir da dinâmica dos seus profissionais, mesmo quando, contra as suas próprias possibilidades pessoais, tenham de recusar trabalhar por uns torcos. Neste caso, sei que a lei da procura e da oferta, efectivamente, regula, mas nós temos de nos assumir como profissionais autênticos (ou não?). Os médicos também se recusam a ser colocados em hospitais de província, alegando que não "têm condições". E socialmente ninguém os critica, pois não?
Por tudo isto (e muito mais), sou, sem dúvida, favorável a uma "obrigatoriedade" de frequência da educação de infância, mas não uma que seja mascarada por "mais condições de colocação de profissionais", ou de "aumento da percentagem de crianças a frequentar a Educação Pré-Escolar". Se o vamos fazer, temos de o fazer pelo que realmente importa: criar condições para um melhor e maior sucesso (a todos os níveis) do País. E, neste caso, já muitos estudos mostram o que é evidente. Temos apenas de os mostrar à "comunidade"!!!
Kink, a questão não é pôr as crianças mais cedo no 1º ciclo. É mesmo a importância das aquisições que, nessas idades, elas deverão fazer no pré-escolar, antes que sejam devoraditas pela fase do ler-escrever-contar-mais-umas-lecas-de-estudo-do-meio.
Brit, não há programa para o pré-escolar. Nem sequer ainda competências definidas que possibilitem a ideia de uma qualquer aferição à entrada para o 1º ciclo. Ainda. De algum modo assusta-me, já andou mais longe. O que há, e, do meu ponto de vista, bem elaboradas, há cerca de 10 anos, são orientações curriculares. Tristemente, muito daquilo para que apontam não tem continuidade REAL no 1º ciclo, nomeadamente no que se refere à área da formação pessoal e social e às áreas (consideradas "menores") das expressões. As artes sempre foram formas de reflectir e contestar o real... e os cidadão "livres, críticos e criativos" que as referidas orientações curriculares preconizam devem estar um pouquito fora de moda... ou de jeito!
Mariazeca:
Falha minha, peço desculpa. Presumi que havendo orientações curriculares por detrás estaria um programa.
Pois então se não há que se elabore, mas com a cabeça bem assente como refere moinho de vento no seu comentário.
A evolução tem sido, sem dúvida, positiva, mas há alturas em que se tem que dar o salto. A maioria dos jardins de infância, que são os privados, dão poucas condições de trabalho para os profissionais, aproveitando-se muitas vezes nos chamados "estágios profissionais", que não são mais que uma forma de terem licenciados baratos e descartáveis, já que ao fim de uma ano, esses terão de procurar outro "estágio profissional", visto só terem a duração de uma ano, e obviamente, o jardim de infância prefere continuar a pagar pouco com outro "estagiário". Deverá haver uma estratégia global no que concerne à educação de infância, com uma rede que chegue a todas as crianças com pelo menos 4 anos, que permita a sua obrigatoriedade, com regras nas colocações de educadores de infância, seja nos jardins públicos ou privados, com um programa, ou orientações curriculares obrigatórias. A auto-regulação neste caso apenas trouxe precariedade nos seus profissionais, licenciados inferiormente remunerados. O que aconteceria neste momento se nas escolas públicas do ensino básico se começasse a pagar 600 euros aos professores? A qualidade seria a mesma? Obviamente que, neste ponto, parte do ME a valorização destes profissionais, e essa valorização tem que existir a vários níveis.
Neste meu comentário estou a cingir-me a apenas uma das partes, mas considero que para haver uma educação de infância de qualidade, os seus profissionais deverão ser considerados e valorizados como tal.
Na minha opinião, o ensino pré-escolar deve ser obrigatório nos dois anos anteriores à entrada do ensino básico pelas seguintes razões:
- primeiro, por uma questão de igualdade e justiça social. O ensino básico obrigatório teve o condão de desvanecer algumas diferenças que existiam entre as pessoas mais abastadas e as mais pobres, permitindo que ambas tivessem acesso à mesma educação, que sempre se quis de qualidade. No caso do pré-escolar, aconteceria o mesmo, colocando estes dois extremos da nossa sociedade mais próximos a nível das oportunidades.
- segundo, a sociedade evoluiu muito nas últimas décadas, e as necessidades das crianças de agora são muito diferentes das necessidades de há 30 anos atrás. Os estímulos agora são quase insuportáveis, de tantos que são, e deverá haver algo que aproveite esses estímulos, e aos mesmo tempo, ajude a criança a gerir toda esta panóplia de atracções. Ao mesmo tempo, deverá haver uma preparação para o primeiro ciclo, tanto uma preparação a nível de conteúdos, mas principalmente a nível pessoal.
Penso que antes de se debater a obrigatoriedade do pré escolar, se deveria debater a obrigatoriedade/ a exigência absoluta da existência de recursos humanos (1 auxiliar de acção educativa por sala). Constatei nestes dois anos, em que fiquei colocada na cidade de Lisboa,que esta obrigatoriedade é desigual no país! Sou educadora dum ji público de Lisboa, e só tenho ajuda duma auxiliar ou de manhã... ou de tarde!!! devido ao dec.lei 381-F/1985 de 28.9.85 (DR 224 Isérie) que estipula a colocação das auxiliares: 1 AAEducativa para 2 salas e 2 AAE para 4 salas.Em 18 anos de serviço nunca me tinha acontecido. foi preciso chegar à Câmara de Lisboa. Considero uma injustiça gritante, quando tenho conhecimento que nas IPSS, nos colégios, noutros equipamentos, nas restantes Câmaras Municipais do país,no próprio equipamento da CMLisboa, não se verifica esta situação. Existe desigualdade e não é admissível que aconteça.
Se nos dias de hoje uma mãe se queixa de dois filhos juntos,que são dificeis , imagine-se uma educadora com 23 crianças de 3, 4 e 5 anos sózinha....
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